Turnaround não é apenas cortar custos
Turnaround empresarial não é sinônimo de redução de despesas. Cortar custos pode ser necessário, mas é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio começa depois da estabilização financeira.
Uma empresa em crise precisa recuperar liquidez, reestruturar dívida, reorganizar processos e restabelecer disciplina operacional. Mas isso não é suficiente. Se a organização não reconstruir sua capacidade de crescer e gerar valor de forma sustentável, o turnaround será apenas temporário.
A base de qualquer reestruturação sólida envolve:
• Gestão rigorosa de caixa
• Reperfilamento de dívida
• Redução estrutural de ineficiências
• Reconstrução da credibilidade junto a investidores e parceiros
A sobrevivência é condição necessária, mas não é o objetivo final.
Crescimento em meio à crise é possível
Existe uma crença de que empresas em reestruturação devem apenas encolher. A prática mostra o contrário.
Durante um processo profundo de transformação, foi possível abrir 600 franquias em dois países, Brasil e Argentina, nas marcas CVC e Almundo. Esse crescimento só foi viável porque o modelo de negócios foi redesenhado.
A implementação da estratégia omnichannel permitiu que 60% dos leads das lojas passassem a ser originados digitalmente. Isso reduziu drasticamente a dependência do fluxo físico tradicional.
Com isso:
• As lojas ficaram menores
• O CAPEX caiu para 25% do modelo anterior
• O custo operacional foi reduzido
• O mercado endereçável se expandiu para mais de 2.000 cidades
Não foi apenas expansão física. Foi expansão viabilizada por tecnologia e eficiência de capital.
Mercado de Capitais e Governança como pilares de credibilidade
Transformação operacional precisa caminhar ao lado da transformação institucional.
Processos como venda para private equity, IPO e follow-on exigem governança, transparência e disciplina estratégica. O mercado de capitais não remunera apenas crescimento, ele remunera previsibilidade e confiança.
A reconstrução da credibilidade passa por:
• Estrutura de governança robusta
• Relação clara entre gestão e conselho
• Comunicação consistente com investidores
• Entrega de resultados sustentáveis
Confiança não se constrói com discurso, mas com execução consistente.
Cultura organizacional sustenta a estratégia
Nenhuma transformação é sustentável sem cultura.
Em 53 anos de história, a empresa nunca havia conquistado o selo Great Place to Work. A transformação cultural foi estruturada com foco na saúde física, mental e social dos colaboradores.
Em momentos de pressão e mudança, pessoas precisam de direção clara, ambiente seguro e propósito compartilhado.
Cultura não é um programa isolado. É um sistema de liderança, incentivo e exemplo.
Sem alinhamento interno, não existe execução externa consistente.
Cliente no centro da transformação
Uma empresa pode melhorar seus números financeiros e ainda assim fracassar se perder a confiança do cliente.
Ao assumir a gestão, a empresa ocupava a última posição no setor de turismo no ranking do Reclame Aqui. Dois anos depois, tornou-se líder no segmento, sendo a única empresa com selo RA1000 no turismo.
Isso não é resultado de marketing. É resultado de:
• Redesenho da jornada do cliente
• Processos internos orientados a resolução
• Integração entre canais digitais e físicos
• Métricas tratadas como ferramenta de gestão
Reputação é consequência de disciplina operacional.
Transformação sistêmica e criação de valor sustentável
Resultados duradouros não vêm de iniciativas isoladas. Eles surgem da integração entre:
• Reestruturação financeira
• Redesenho operacional
• Estratégia omnichannel
• Expansão estruturada
• Governança sólida
• Cultura organizacional forte
• Foco real no cliente
Criar valor sustentável exige visão sistêmica.
Turnaround não é apenas salvar empresas. É reposicioná-las para competir, crescer e gerar valor de forma consistente no longo prazo.
Esse é o verdadeiro desafio da liderança executiva.

