A coragem de decidir quem fica e quem sai no novo ciclo da empresa
Toda empresa vive ciclos. O mercado muda, a concorrência evolui, a operação ganha escala e as decisões passam a exigir competências diferentes. O problema é que, muitas vezes, a empresa entra em um novo ciclo enquanto parte da liderança continua focada no anterior.
É nesse momento que surgem alguns dos maiores desafios de um CEO. Não porque as pessoas tenham deixado de ser competentes, mas porque a organização passou a exigir outro nível de gestão, outra velocidade de execução e outra capacidade de decisão.
O crescimento muda as exigências da liderança
Empresas de R$ 20 milhões, R$ 200 milhões ou R$ 2 bilhões enfrentam desafios completamente diferentes. A complexidade aumenta, a governança evolui, o acesso ao mercado de capitais passa a exigir disciplina, os riscos crescem e a tomada de decisão deixa de depender apenas do fundador.
O time que ajudou a construir a empresa pode continuar sendo parte desse processo, mas essa permanência precisa ser consequência da capacidade de continuar gerando valor, não apenas do que foi entregue no passado.
Governança também é decidir sobre pessoas
Quando uma empresa cresce, decisões sobre liderança deixam de ser baseadas em percepção pessoal e precisam seguir critérios. É exatamente esse o papel da governança.
Governança não existe apenas para organizar conselhos, definir alçadas ou estabelecer processos de aprovação. Ela cria mecanismos para avaliar desempenho, preparar sucessores, desenvolver lideranças e garantir que a estrutura acompanhe a estratégia da empresa.
O maior erro é esperar que o problema se resolva sozinho
O CEO percebe que determinada liderança já não acompanha a evolução da empresa, identifica sinais de perda de velocidade, conflitos entre áreas ou dificuldades de execução, mas acredita que o cenário irá se ajustar naturalmente.
Enquanto isso, a organização inteira entende que existe um problema que ninguém está disposto a enfrentar. A consequência aparece na execução: projetos atrasam, decisões voltam para a mesa do CEO, novos executivos encontram dificuldade para atuar e o crescimento começa a perder ritmo.
A decisão mais importante não é quem sai
O verdadeiro desafio está em identificar quais lideranças têm capacidade de crescer junto com a empresa, quais precisam de desenvolvimento, quais funções exigem reforço e quais competências ainda precisam ser incorporadas.
A estratégia define para onde a empresa quer ir. A governança cria as condições para que isso aconteça. E o time executivo transforma essa estratégia em resultado. Quando essas três dimensões deixam de evoluir juntas, o crescimento perde consistência.
Fábio Godinho é executivo com mais de duas décadas de experiência em turnarounds, mercado de capitais, M&A e gestão empresarial.
Fábio Godinho é executivo brasileiro com mais de duas décadas em turnarounds, M&A, mercado de capitais e criação de modelos de negócio nos setores de turismo, hospitalidade e aviação. Ex-presidente da CVC Corp, GJP Hotels & Resorts, Webjet e Tim Hortons USA.