A implementação do primeiro comitê estratégico: onde a governança realmente começa
Quando se fala em governança corporativa, muitos empresários imaginam conselhos de administração, estatutos complexos e estruturas reservadas para grandes companhias. Por isso, acabam adiando o primeiro passo. Esperam o faturamento crescer, a empresa amadurecer ou o momento parecer ideal. Enquanto isso, as decisões continuam sendo tomadas da mesma forma: em conversas de corredor, mensagens de WhatsApp, almoços de domingo ou reuniões improvisadas.
Governança não começa quando a empresa cria um conselho. Começa quando ela cria um processo para decidir melhor.
É por isso que o primeiro grande passo da profissionalização é a implantação de um comitê estratégico.
O objetivo do primeiro comitê
Toda empresa familiar chega a um estágio em que a experiência do fundador deixa de ser suficiente para dar conta da complexidade do negócio. As equipes aumentam, surgem novos produtos, novas unidades e novos gestores. As decisões deixam de ser poucas e passam a ser dezenas por semana.
O primeiro comitê existe para mudar essa lógica. Seu objetivo não é revisar tudo o que aconteceu na semana anterior. O passado não pode ser alterado. O comitê serve para decidir o que precisa acontecer na semana seguinte.
Na prática, três temas concentram praticamente todas as discussões relevantes: vendas, margem e projetos estratégicos. Quando uma dessas três frentes sai do planejado, a empresa precisa reagir rapidamente.
Eliminar a ambiguidade
Projetos sem responsável raramente terminam no prazo. Projetos com dois responsáveis normalmente não têm responsável algum. Toda iniciativa precisa ter um único executivo responsável, uma meta objetiva, um prazo definido e um acompanhamento simples que permita identificar rapidamente se ela está avançando conforme o esperado.
A lógica do verde, amarelo e vermelho não existe para produzir relatórios mais bonitos. Ela existe para tornar os desvios visíveis enquanto ainda são pequenos e baratos de corrigir.
Quem participa
O primeiro comitê deve ser enxuto. CEO, financeiro, comercial e operação costumam formar uma estrutura suficiente para as empresas que estão iniciando esse processo. À medida que o negócio cresce, a governança evolui junto com ele.
O mais importante é compreender que o primeiro comitê não representa o destino final da governança. Ele representa o início de uma nova forma de administrar a empresa. É nesse momento que a gestão deixa de depender exclusivamente da experiência do fundador e passa a funcionar por método, disciplina e responsabilização.
Fábio Godinho é executivo com mais de duas décadas de experiência em turnarounds, mercado de capitais, M&A e gestão empresarial.
Fábio Godinho é executivo brasileiro com mais de duas décadas em turnarounds, M&A, mercado de capitais e criação de modelos de negócio nos setores de turismo, hospitalidade e aviação. Ex-presidente da CVC Corp, GJP Hotels & Resorts, Webjet e Tim Hortons USA.