Volume, rentabilidade e o mercado brasileiro
O turismo brasileiro acumulou mais uma semana de números positivos: chegamos a 4,81 milhões de turistas estrangeiros entre janeiro e maio. O Airbnb movimentou R$ 113 bilhões na economia nacional em 2025. Os cruzeiros projetam 24% mais leitos na temporada 2026/2027. O consórcio de viagens cresceu 30% em dois anos e já opera com ticket médio de R$ 22 mil.
Os números, embora reais, precisam ser lidos com muita atenção. Em praticamente todas essas frentes não podemos considerar apenas quanto girou, mas quanto ficou.
Na hotelaria, RevPAR, diária média e ocupação seguem relevantes, mas já não bastam para medir a qualidade da performance. A análise que começa a ganhar espaço é quanto custou cada venda, qual canal gerou margem real e o que sobrou depois das comissões, da mídia, dos intermediários e do custo de distribuição.
Volume, isoladamente, não é sinônimo de crescimento saudável.
Na aviação, o QAV acumulou alta próxima de 99% entre março e maio. Só os reajustes de abril e maio adicionaram R$ 1,84 bilhão às despesas das aéreas. Mais de 6.200 voos saíram da programação nacional nesses dois meses.
A semana entregou crescimento em praticamente todas as frentes. E entregou, também, a pergunta que o próximo ciclo vai exigir responder: quem está crescendo com margem?
Fábio Godinho é executivo com mais de duas décadas de experiência em turnarounds, mercado de capitais, M&A e gestão empresarial.
Fábio Godinho é executivo brasileiro com mais de duas décadas em turnarounds, M&A, mercado de capitais e criação de modelos de negócio nos setores de turismo, hospitalidade e aviação. Ex-presidente da CVC Corp, GJP Hotels & Resorts, Webjet e Tim Hortons USA.